Já falamos aqui sobre os fariseus, um dos grupos religioso-políticos da época de Jesus. Hoje conheceremos melhor os saduceus.
Quem eram os saduceus?
Os saduceus formavam um grupo pequeno, mas poderoso, composto por sacerdotes e pessoas ricas e de grande influência em Jerusalém. Esse grupo surgiu a partir da experiência dos macabeus, em meio à turbulência da guerra, mas já com um firme controle de muitos aspectos da vida judaica. Formavam um grupo fechado e não procuravam novos membros, como faziam os fariseus.
Eles controlavam o templo e o cargo de sumo sacerdote, que conseguiram "comprar" por meio de manobras políticas corruptas. Mantiveram esse controle por muitos anos, pelo poder do dinheiro. Tendo o cargo de sumo sacerdote, eles obtiveram o monopólio da liderança do sinédrio, que também era o poder governante.
Apesar disso, eles não se consideravam corruptos. Acreditavam que estavam apenas fazendo frente à realidade política do país utilizando a arma mais eficaz: o dinheiro. Do início do reinado de Herodes até a queda de Jerusalém (108 anos), o cargo foi ocupado pro 28 sacerdotes, com uma média de menos de 4 anos para cada um. Durante o domínio dos gregos muitas vezes eles tiveram que subornar as autoridades para manter o cargo de sumo sacerdote. No caso de Herodes, não sabemos exatamente quais eram os pré-requisitos para ocupar o cargo, mas sabe-se que o indicado só conseguia a posição se ele fosse útil para o rei.
Os saduceus se apegavam a interpretações bíblicas bem rigorosas, chegando a contestar algumas passagens do Antigo Testamento por não terem sido escritos por Moisés. Também rejeitavam algumas doutrinas que eram amplamente aceitas pelo povo. Negavam a possibilidade de Deus se interessar pela vida diária do homem, por exemplo, pois acreditavam que a vontade de Deus se aplicava a contextos maiores.
Negavam, ainda, a doutrina da ressurreição física (Mateus 22.23; Marcos 12.18; Lucas 20.27), porque ela não era citada em nenhum dos livros de Moisés. Agiam da mesma forma em relação à eternidade da alma e à existência de seres espirituais, a não ser Deus (Atos 23.8). Segundo esse ponto de vista, as menções a anjos eram apenas expressões poéticas ou fruto da imaginação humana.
Com tais doutrinas, eles tendiam para uma postura deísta, que via Deus como um grande Criador, que transmitira suas leis aos homens, mas depois praticamente havia perdido o interesse pelo mundo. Por isso, rejeitavam a afirmação de que Jesus é Deus. Como Deus raramente se preocupava com a terra, era pouco provável que se desse ao trabalho de enviar seu Filho para cá.
Os saduceus não aceitavam os ensinamentos de Jesus, mas não era por isso que surgiram os conflitos. De modo geral, o sumo sacerdote não dava muita atenção às alegações dos profetas e messias que surgiam na época.
O conflito com Jesus se deu porque multidões o seguiam e essas podiam se tornar uma ameaça para o governo de Roma, que poderia usar de força para reprimi-las.
Mas o atrito entre saduceus e Jesus atingiu seu ápice na ressurreição de Lázaro (João 11.48). Foi então que Caifás passou a exigir a morte de Jesus: "era melhor que perecesse um só homem, do que a nação inteira (João 11.49,50).
DICIONÁRIO DA BÍBLIA DE ALMEIDA. 2 ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2001.
Eles controlavam o templo e o cargo de sumo sacerdote, que conseguiram "comprar" por meio de manobras políticas corruptas. Mantiveram esse controle por muitos anos, pelo poder do dinheiro. Tendo o cargo de sumo sacerdote, eles obtiveram o monopólio da liderança do sinédrio, que também era o poder governante.
Apesar disso, eles não se consideravam corruptos. Acreditavam que estavam apenas fazendo frente à realidade política do país utilizando a arma mais eficaz: o dinheiro. Do início do reinado de Herodes até a queda de Jerusalém (108 anos), o cargo foi ocupado pro 28 sacerdotes, com uma média de menos de 4 anos para cada um. Durante o domínio dos gregos muitas vezes eles tiveram que subornar as autoridades para manter o cargo de sumo sacerdote. No caso de Herodes, não sabemos exatamente quais eram os pré-requisitos para ocupar o cargo, mas sabe-se que o indicado só conseguia a posição se ele fosse útil para o rei.
Em que criam?
Os saduceus se apegavam a interpretações bíblicas bem rigorosas, chegando a contestar algumas passagens do Antigo Testamento por não terem sido escritos por Moisés. Também rejeitavam algumas doutrinas que eram amplamente aceitas pelo povo. Negavam a possibilidade de Deus se interessar pela vida diária do homem, por exemplo, pois acreditavam que a vontade de Deus se aplicava a contextos maiores.
Negavam, ainda, a doutrina da ressurreição física (Mateus 22.23; Marcos 12.18; Lucas 20.27), porque ela não era citada em nenhum dos livros de Moisés. Agiam da mesma forma em relação à eternidade da alma e à existência de seres espirituais, a não ser Deus (Atos 23.8). Segundo esse ponto de vista, as menções a anjos eram apenas expressões poéticas ou fruto da imaginação humana.
Com tais doutrinas, eles tendiam para uma postura deísta, que via Deus como um grande Criador, que transmitira suas leis aos homens, mas depois praticamente havia perdido o interesse pelo mundo. Por isso, rejeitavam a afirmação de que Jesus é Deus. Como Deus raramente se preocupava com a terra, era pouco provável que se desse ao trabalho de enviar seu Filho para cá.
Os conflitos com Jesus
Os saduceus não aceitavam os ensinamentos de Jesus, mas não era por isso que surgiram os conflitos. De modo geral, o sumo sacerdote não dava muita atenção às alegações dos profetas e messias que surgiam na época.
O conflito com Jesus se deu porque multidões o seguiam e essas podiam se tornar uma ameaça para o governo de Roma, que poderia usar de força para reprimi-las.
Mas o atrito entre saduceus e Jesus atingiu seu ápice na ressurreição de Lázaro (João 11.48). Foi então que Caifás passou a exigir a morte de Jesus: "era melhor que perecesse um só homem, do que a nação inteira (João 11.49,50).
Fontes:
COLEMAN, William L. Manual dos tempos e costumes bíblicos. Belo Horizonte: Betânia, 1991.DICIONÁRIO DA BÍBLIA DE ALMEIDA. 2 ed. Barueri: Sociedade Bíblica do Brasil, 1999.
HALE, Broadus David. Introdução ao Estudo do Novo Testamento. São Paulo: Hagnos, 2001.

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