Ao ler os evangelhos, frequentemente nos deparamos com vários textos com embates entre Jesus e os fariseus. Em pregações, ouvimos falar de atitudes farisaicas. Mas quem eram os fariseus?
Os grupos religiosos
Na época de Jesus havia vários grupos político-religiosos inexistentes no Antigo Testamento. Esses grupos nasceram para buscar a preservação da identidade do povo judeu em tempos de perseguição e ameaças. Alguns buscavam o poder para conseguirem segurança e prosperidade.
Dentre esses grupos, os mais conhecidos são: fariseus, saduceus, zelotes, essênios, herodianos e zadoqueus.
Quem eram os fariseus?
Eram o maior e mais importante grupo. O nome "fariseu" significa "separatista". Apareceram pela primeira vez como um grupo durante a época de João Hircano I. Alguns estudiosos dizem que o termo foi usado pela primeira vez por judeus que se separaram de Judas Macabeu, após 165 a.C. Outros estudiosos defendem que os fariseus tenham sido sucessores dos "hasidins", grupo que se empenhou na interpretação das Escrituras durante as reformas de Esdras e Neemias.
Seja como for, os fariseus representam o grupo que luta contra os dominadores estrangeiros, defendem o exclusivismo judaico e a lealdade à tradição dos pais. Apesar de se interessarem pouco pela política, tornaram-se os mentores políticos de Israel. Controlavam a sinagoga.
Na tentativa de responderem aos problemas surgidos pelo contato dos judeus com outras religiões, os fariseus desenvolveram uma tradição oral de interpretação das Escrituras. Assim, eles seguiam rigorosamente a Lei de Moisés, as tradições e os costumes dos antepassados (Mateus 23.25-28).
Acreditavam na ressurreição e na existência dos seres celestiais. (Atos 23.8)
Não se davam com os saduceus, mas se uniram com eles para combater Jesus e seus seguidores (Mateus 16.1).
Os conflitos com Jesus
Os fariseus se opunham a Jesus porque eles não toleravam o fato do Mestre dar mais atenção ao espírito da Lei do que à forma. Enquanto isso, eles interpretavam a Lei em seus detalhes.
Outra divergência se dá na visão que eles tinham de Deus. Jesus via Deus como um pai amoroso e compassivo, como podemos ver na parábola do filho pródigo, por exemplo. Já os fariseus viam Deus como um ser vingativo, que se irava facilmente.
Os fariseus se consideravam protetores da Lei de Deus e, por isso, achavam que tinham que definir os limites da religião judaica. Como resultado, criavam regras detalhadas que não eram exigidas pela Lei. Um exemplo disso é o jejum. A Lei determinava que se jejuasse uma vez por ano (Levítico 23.27-29), mas na época de Jesus eles faziam jejum duas vezes por semana (Mateus 6.16-18). Outro exemplo era a lavagem de mãos antes das refeições. A Lei exigia apenas que se lavasse as mãos, mas os fariseus criaram um verdadeiro ritual: especificaram a quantidade certa de água e prescreviam que se deveria molhar até os punhos, caso contrário a lavagem não estaria correta. Mas Jesus não se submetia às regras farisaicas e, por isso, os fariseus ficaram irritados com ele. (Marcos 7.5)
Todo o capítulo 23 de Mateus relata o discurso incisivo de Jesus denunciando as atitudes dos fariseus. Observe isso nos primeiros versículos:
Então, Jesus disse à multidão e aos seus discípulos:"Os mestres da lei e os fariseus se assentam na cadeira de Moisés.Obedeçam-lhes e façam tudo o que eles lhes dizem. Mas não façam o que eles fazem, pois não praticam o que pregam.Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los."Tudo o que fazem é para serem vistos pelos homens.(Mateus 23:1-5)

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